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https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/24668| Tipo: | Dissertação |
| Título: | Maternidade real: uma fórmula discursiva? |
| Autor(es): | Zago, Vanessa Koenigstein |
| Primeiro Orientador: | Silva, Maria Cecília Pérez de Souza e |
| Resumo: | Em um momento em que a quarta onda do movimento feminista segue avançando, as redes sociais têm funcionado como plataforma para a problematização de uma série de questões de minorias; entre elas, uma centrada na função do maternar, até então vista sob uma perspectiva sócio-histórica de idealização da figura da mãe. Opondo-se a essa construção de ideal, surge o sintagma “maternidade real” como uma espécie de “movimento”, alcançando visibilidade dentro e fora das redes nas quais, originalmente, tudo indica que se constituiu. Nesse contexto, a pesquisa tem como objetivo central depreender se o sintagma “maternidade real” pode ser alçado ao estatuto de fórmula discursiva, ancorando-se, para tanto, na noção de “fórmula” em Análise do Discurso, tal como proposta teórico-metodologicamente por Alice Krieg-Planque. Assim, o estudo se viabiliza tomando como critérios de análise as quatro propriedades inerentes à fórmula: (i) a sua cristalização, mediante um significante relativamente estável, (ii) a sua inscrição numa dimensão discursiva, (iii) o fato de, como referente social, significar algo para todos num dado momento, e (iv) a sua natureza polêmica, portadora de questões sociopolíticas. Complementarmente, recorre-se aos estudos empreendidos por Dominique Maingueneau sobre unidades tópicas e não tópicas, bem como ao princípio do interdiscurso. Ainda como contribuições teóricas mais pontuais, empregam-se a teoria de Modelo Cognitivo Idealizado, de George Lakoff, e a noção de discurso nativo-digital, conforme Marie-Anne Paveau. O corpus que viabilizou a análise é constituído de 61 textos de natureza digital extraídos de mídias online diversas mediante a adoção de critérios específicos, tais como a depreensão apenas do sintagma “maternidade real” (e não da “#maternidadereal”) e o estabelecimento de uma data inicial para o levantamento do seu histórico, o que se situou em 2010, com a amplificação do acesso à internet no Brasil. Compôs-se, então, uma amostra que abrange o intervalo 2011-2021, desde a identificação do primeiro registro de “maternidade real” na internet até os enunciados postos em circulação mais recentemente, dadas a atualidade do tema na pandemia e as discussões relativas à intensificação da sobrecarga materna nesse período. Mesmo levando-se em consideração a premissa de Krieg-Planque de que a fórmula é uma categoria gradual, o que o estudo permitiu constatar é que “maternidade real” apresenta potencial para ser alçado à condição de fórmula, uma vez que o neologismo preenche amplamente uma das quatro propriedades da fórmula, possuindo uma sequência cristalizada, e que as suas outras três dimensões ainda estão em fase de constituição. Na discursiva, “maternidade real” mantém diálogo principalmente com a maternidade, mas também participa ativamente do debate das questões em torno da problematização dessa temática, sobretudo na web; na de referente social, não circula no amplo espaço público, limitando-se mais a um domínio específico, mas é preciso considerar que a avaliação do que é espaço público está sob questionamento, frente ao quadro contemporâneo de fragmentação midiática; e, embora a consequência dessa maior reverberação em sua comunidade discursiva enfraqueça as suas possibilidades de gerar grandes polêmicas, dentro do seu próprio meio, porém, verificam-se facetas de polemicidade. Diante da fluidez dessas três propriedades, podem-se aventar duas hipóteses: a primeira parece decorrer de um sintoma da forma naturalizada pela qual a sociedade brasileira lida com a maternidade – como um tema já estabelecido e sobre o qual não caberia problematização; a segunda parece estar ligada à própria noção de espaço público e de publicização – os grandes veículos de comunicação ainda se configuram como os vetores mais importantes para a promoção, a amplificação e a circulação das fórmulas. Concluindo, pode-se dizer que o estudo permitiu não apenas constatar o potencial formulaico de “maternidade real”, mas ainda desvelar as relações de poder e de opinião da sociedade brasileira contemporânea sobre a questão da maternidade |
| Abstract: | As the fourth wave of the feminist movement advances, social networks have been working as a platform for the problematization of a series of minorities questions; among them, one centered in the motherhood function, till now seen under a socio-historical idealization of the mother figure. As opposed to this optimal construction comes the “real motherhood” syntagma as a type of “movement,” reaching visibility within and outside the networks it originally appeared. In this context, the core objective of the research is to understand if the “real motherhood” syntagma could be elevated to the status of discursive formula, anchoring for this purpose in the “formula” notion from the Discourse Analysis, as a theoretical and methodological proposal by Alice Krieg-Planque. Thus, the study is feasible by taking as analysis criteria the four properties inherent to the formula: (1) its crystallization, through a moderately stable signifier, (ii) its inscription in a discursive dimension, (iii) the fact that, as a social referent, it has a meaning for everybody at a given time, and (iv) its controversial nature, bearing socio-political issues. Complementarily, we resort to the studies undertaken by Dominique Maingueneau about topics and non-topics units, as well as to the inter-discourse principle. Also, as more specific theoretical contributions, there is the Idealized Cognitive Model, from George Lakoff, and the notion of digital-native discourse, as per Marie-Anne Paveau. The corpus for the analysis is composed of 61 digital texts extracted from various online media using specific criteria, as the syntagma "real motherhood" (and not "#realmotherhood") and the definition of a starting date for tracking its history, that was 2010 when the internet access in Brazil was expanded. The sample covers the range between 2011- 2021, since the identification of the first record of "real motherhood" on the internet, up to the statements put into circulation more recently, due to the actuality of the theme at the pandemic and the discussions associated to the intensification of the maternal burden in this period. Even considering Krieg-Planque's assumption that the formula is a gradual category, it was noted in the study that "real motherhood" has the potential to be elevated to the formula status, as the neologism fills broadly one of the formula's four properties, having a crystallized sequence. The other three dimensions are still in the formation stage. On the discursive, "real motherhood" dialogues mainly with the maternity, but also participates actively in discussing questions around the problematization of this theme, mainly on the web. In the social referent, it does not circulate in the broad public space, and it is limited to a specific domain. Still, in the face of contemporary media fragmentation, one must consider that the assessment of what is public space is under questioning. Although the consequence of this greater reverberation in his discursive community weakens his possibilities of generating great controversy within his environment, there are facets of polemicism. Two hypotheses could be made in the face of the fluidity of these three proprieties: the first one seems to originate from a symptom of the naturalized way that the Brazilian society deals with maternity – as an already established theme and on which there would be no room for problematization. The second seems to be linked to the public space notion and publicization – the major communication vehicles are still the most important vectors for the promotion, magnification, and circulation of formulas. In conclusion, it is possible to say that the study allowed not only to verify the formulaic potential of "real motherhood" but also to unveil the power relations and opinion of contemporary Brazilian society on the issue of maternity |
| Palavras-chave: | Maternidade real Maternidade idealizada Análise do Discurso francesa Fórmula discursiva Real motherhood Idealized motherhood French Discourse Analysis Discursive formula |
| CNPq: | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA::LINGUISTICA APLICADA |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editor: | Pontifícia Universidade Católica de São Paulo |
| Sigla da Instituição: | PUC-SP |
| metadata.dc.publisher.department: | Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem |
| Citação: | Zago, Vanessa Koenigstein. Maternidade real: uma fórmula discursiva?. 2021. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2021. |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/24668 |
| Data do documento: | 6-Dez-2021 |
| Aparece nas coleções: | Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem |
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