REPOSITORIO PUCSP Teses e Dissertações dos Programas de Pós-Graduação da PUC-SP Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica
Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/24660
Tipo: Dissertação
Título: Pornocracia no Brasil: uma economia política da comunicação obscena e a pornografia da morte
Autor(es): Cunha, Thiago Alixandre da
Primeiro Orientador: Katz, Helena
Resumo: A crescente indistinção entre vida privada e pública praticada na internet produziu um fenômeno comunicacional que merece atenção, e é a questão da qual parte esta dissertação: a naturalização de certos modos de uso e transação de corpos, que agora prolifera em muitas plataformas, produz processos de subjetivação “des-erotizados”, obscenizantes e pornográficos, que passam a regular a comunicação, em suas diversas formas de manifestação. Vale esclarecer que não se trata apenas da expansão do consumo de pornografia na internet, nem tampouco do uso dos apps de relacionamento e das redes sociais de interação sexual, mas de um tipo de comunicação de enorme impacto e alcance, ainda sem a visibilidade que precisa ter. Dufour (2013) nos fala de “relações político-pornológicas e econômico-pornocráticas” que não escandalizam e nem mobilizam atenção, embora regulem a política e a economia, ou seja, o modo como vivemos. Podemos reconhecê-las no conjunto de informações divulgado nos meios de comunicação como: a espetacularização das delações premiadas, dos depoimentos em processos judiciais, das informações supostamente secretas do sistema judiciário (como o vazamento de gravações de áudios e vídeos nos veículos jornalísticos), ou a transformação de nossa subjetividade em perfis à venda pelas mineradoras de dados. Os discursos ejaculatórios, não ficam restritos às redes sociais, e parecem infectar o modo como se comporta o campo da comunicação e do jornalismo hoje, no Brasil. A hipótese é a de que há uma nova organização lógica nos hábitos cognitivos produzidos nas horas diárias investidas na vida online, que terminaram por promover um assujeitamento ao que se poderia nomear de comunicação pornográfica, dada a sua afinidade com uma espécie de obscenidade informacional, que traz para a cena o que ficava retido na penumbra/coxia. Para sustentá-la, a pesquisa se fundamentará, sobretudo, no conceito de espetáculo (DEBORD,1967, 1997) biopolítica (Foucault, 2005), nos conceitos de pornografia e liberalismo (Dufour, 2013), na Teoria Corpomídia (Katz e Greiner, 2005) e no conceito de teatrocracia (Han, 2012). O objetivo é trazer para o proscênio a reflexão sobre as consequências da espetacularização de informações (Débord, 1967, 1997), identificando estas práticas na nossa comunicação quotidiana. A metodologia empregará a revisão bibliográfica e a organização de um Banco de Dados com o corpus da pesquisa, formado de matérias jornalísticas de diversos veículos da imprensa, como também da produção midiática nas quais reconhecemos relações político-pornológicas, cobrindo o período eleitoral de 2018, até 2021 no Brasil. Usaremos ainda fenômenos midiatizados em sites e blogs de notícias, em redes sociais como, Twitter, Instagram, Facebook, Youtube e WhatsApp, dentre outras plataformas. A exposição da vida íntima através da comunicação em rede parece ter dado vida à Pornocracia (Dufour, 2013), que necessita ser investigada para que se possa tecer um diagnóstico mais preciso deste fenômeno que agora regula a comunicação
Abstract: The growing indistinction between private and public life on the internet practices has produced a communicational phenomenon that deserves attention and it is the question from which this dissertation starts: the naturalization of certain modes of use and transaction of bodies that now proliferates on many platforms produces “De-eroticized”, obscenizing and pornographic processes of subjectification, which started to regulate communication in its various forms of manifestation. It is worth clarifying that it is not only about expanding the consumption of pornography on the Internet nor about the use of relationship apps and social networks for sexual interaction, but a type of enormously impactful communication and scope, even without the visibility that it needs to have. Dufour (2013) talks about “political-pornological and economic-pornocratic relations” that do not scandalize or mobilize attention, although they regulate politics and the economy, which is the way we live. We can recognize them in the set of information published in the media, such as: the spectacularization of the turning state’s evidence cases, the testimonies in judicial processes, the supposedly secret information of the judicial system (such as the leaks of audio and video recordings in the press), or the transformation of our subjectivity into profiles for sale by data mining companies. Ejaculatory speeches are not restricted to social networks and they seem to infect the way the communication field and journalism behave today in Brazil. The hypothesis is that there is a new logical organization in the cognitive habits produced in the daily hours invested in online life, which ended up promoting a subjection that could be called pornographic communication, given its affinity with a kind of informational obscenity that brings to the scene what was retained in the backstage. To support it, the research will be based mainly on the spectacle concept (DEBORD, 1967, 1997), biopolitics (Foucault, 2005), on the pornography and liberalism concepts (Dufour, 2013), on the Corpusmedia Theory (Katz and Greiner, 2005) and the theatrocracy concept (Han, 2012). The objective is to bring to the stage front the reflection about the consequences of the spectacularization of information (Débord, 1967, 1997), identifying these practices in our daily communication. The methodology will make use of a bibliographic review and the organization of a database taken from journalistic articles from several press vehicles, as well as from the media production in which we recognize political-pornological relations, covering the electoral period of 2018, until 2021 in Brazil. We will also use mediatized phenomena on news sites and blogs, on social networks such as Twitter, Instagram, Facebook, Youtube and WhatsApp, among other platforms. The exposure of intimate life through network communication seems to have given life to Pornocracy (Dufour, 2013), which needs to be investigated in order to make a more accurate diagnosis of this phenomenon that now regulates communication
Palavras-chave: Pornocracia
Pornologia
Corpomídia
Política e pornografia
Necropornobiopoder
Pornocracy
Pornology
Corpusmedia
Politics and pornography
Necropornbiopower
CNPq: CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::COMUNICACAO
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Sigla da Instituição: PUC-SP
metadata.dc.publisher.department: Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes
metadata.dc.publisher.program: Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica
Citação: Cunha, Thiago Alixandre da. Pornocracia no Brasil: uma economia política da comunicação obscena e a pornografia da morte. 2021. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Semiótica) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2021.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/24660
Data do documento: 30-Jun-2021
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